Com a correria da vida, tenho jogado pouco videogame nos últimos meses. Terminei Max The Curse of Brotherhood e Sleeping Dogs recentemente. Ótimos jogos, recomendo muito mas o jogo que está ganhando minha atenção nas últimas semanas é o Hand of Fate no Xbox One.
Hand of Fate é um jogo indie da Defiant Development, financiado via Kickstarter. Ele está disponível no Steam e no PS4. Ele é um card game com elementos de roguelike e RPG.
Nesse jogo, você enfrenta desafios em cartas num baralho montado por um dealer misterioso. As cartas são colocadas na mesa com a face para baixo montando um tabuleiro e você move uma miniatura para atravessá-lo. Cada carta que você coloca a miniatura é virada e ela gera um evento. Os eventos podem ser batalhas com monstros, encontros com mercadores, labirintos e boa parte desses eventos você tentar evitar.
O jogo é viciante porque as cartas são embaralhadas a cada jogada, mudando toda a sequencia do jogo e uma boa parte das cartas oferece pelo menos duas escolhas que podem alterar o resultado do evento. Meu primeiro contato com RPG foi no começo da adolescência através dos Livros Jogos da Série Aventuras Fantásticas (Fighting Fantasy) e o Hand of Fate me dá quase a mesma sensação que eu tinha me aventurando por aqueles livros.
Recomendo muito.
Sou um caiçara entusiasta de Tecnologia, Ciência e Games. Cético. Profissional de TI e professor de Inglês. Casado com uma mulher maravilhosa e "pai" de dois gatos.
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segunda-feira, 13 de abril de 2015
terça-feira, 28 de junho de 2011
Descanse em paz, Encontro Internacional de RPG.
Essa época do ano e clima frio me lembram o EIRPG...
O EIRPG (Encontro Internacional de RPG) era um evento organizado por editora paulistana de RPG, quadrinhos e jogos de estratégia que acontecia todos os anos na cidade de São Paulo. O Evento reunia jogadores de RPG, CCG (Collectible Card Games), jogos de tabuleiro e estratégia e também outras tribos como fãs de Animes, quadrinhos, ficção e fantasia em geral.
O 1° EIRPG foi em 1993 e a tradição seguiu até 2008. Nesse período, a organização do Evento trouxe convidados ilustres com Mark Hein•Hagen, autor de Vampiro A Máscara, Steve Jackson, autor de GURPS, e muitos outros. O Encontro, ou Convenção como também era conhecido, começou no Ibirapuera, depois foi transferido para o Mart Center e, em suas últimas edições, acontecia no Colégio Marista.
Além da editora organizadora, outras lojas de jogos, filmes e livros participavam. Era possível comprar livros e jogos nacionais e importados e, para muitos, era uma das únicas chances de comprar alguns dos livros. O RPG, especialmente no começo dos anos 90, não era muito difundido e era bem difícil achar algum material fora da cidade de São Paulo.
Era também um espaço para trocas. Sempre havia pessoas vendendo ou comprando livros e jogos usados e os organizadores promoviam inclusive uma espécie de leilão de materiais usados.
Fazer contatos e novos amigos também era uma das atrações do Evento. Ainda sem internet, era complicado encontrar novos jogadores para o seu grupo. Por exemplo, durante muito tempo, o meu grupo acreditava ser o único grupo de RPG na nossa cidade. Acredito que isso acontecia com outros grupos também. No EIRPG era mais fácil fazer contatos, trocar telefones e as vezes descobrir jogadores da sua própria região.
Eu participei de todas as edições do Encontro entre 1995 e 2008 com exceção de 1998 e 2006. Na maior parte deles eu atuei como Mestre e jogador.
Nos anos 90 e começo dos 2000, participar da Convenção era quase um ritual para os meus amigos e eu. Morávamos todos numa cidade do litoral de São Paulo na época e todos os anos nós alugávamos uma van para ir à Convenção. As vezes participávamos durante dois dos três dias do evento. As vezes, apenas um.
Quando a data da Convenção era anunciada, os Mestres do grupo corriam até a banca especializada em RPG da cidade vizinha para pegar os formulários de inscrição (depois de algum tempo passamos a recebê-lo via mala direta) e enviávamos nossa inscrição junto com o resumo de uma aventura para os organizadores.
As semanas seguintes eram de ansiedade e preparação. Ansiedade porque a resposta com a aprovação da aventura demorava. Preparação porque queríamos mestrar aventuras bacanas. Os Mestres inscritos escreviam suas aventuras e faziam playtest com o grupo.
Receber a confirmação da inscrição era fantástico. Além de fazer bem para o ego, os Mestres ganhavam camisetas que eram depois exibidas como troféus, lanches e as vezes algum brinde como um livro ou uma revista.
Um pouco antes de 2004, nosso grupo já estava separado. Alguns tinham obrigações de trabalho, família, outros mudaram de cidade e outros ainda perderam o interesse. O EIRPG ainda servia como ponto de encontro para alguns de nós mais para bater papo e matar saudades do que para jogar.
Não sei dizer a partir de que ano eu comecei a sentir isso mas em algum ponto dos anos 2000 a qualidade do Encontro começou a cair. A organização parecia aceitar qualquer aventura (a descrição de uma das aventuras que vi era “ batatinha quando nasce esparrama pelo chão”), havia poucos sistemas diferentes disponíveis para jogo. A organização começou a cobrar ingressos mas não oferecia muito mais do que quando o evento era de graça.
A partir de 2009 não houve mais EIRPG. Até hoje não vi uma explicação oficial da organização. Já ouvi boatos e também a explicação de alguém que seria funcionário da editora. O que se diz é que ficou economicamente inviável realizar o encontro. Sempre achei essa explicação estranha. Sim, acredito que seja um evento caro de se realizar. E sim, acho que o RPG ficou tão popular aqui no Brasil quanto ele pode ser. E isso não é muito. Mas é fato também que cada vez mais pessoas estão interessadas em outras coisas que o evento oferecia: jogos de estratégia, livros e filmes de fantasia, cultura oriental. Talvez haja outras razões ou simples falta de interesse.
O fato é que, para muitas pessoas e por muitos motivos diferentes, o Encontro International de RPG vai fazer falta.
O EIRPG (Encontro Internacional de RPG) era um evento organizado por editora paulistana de RPG, quadrinhos e jogos de estratégia que acontecia todos os anos na cidade de São Paulo. O Evento reunia jogadores de RPG, CCG (Collectible Card Games), jogos de tabuleiro e estratégia e também outras tribos como fãs de Animes, quadrinhos, ficção e fantasia em geral.
O 1° EIRPG foi em 1993 e a tradição seguiu até 2008. Nesse período, a organização do Evento trouxe convidados ilustres com Mark Hein•Hagen, autor de Vampiro A Máscara, Steve Jackson, autor de GURPS, e muitos outros. O Encontro, ou Convenção como também era conhecido, começou no Ibirapuera, depois foi transferido para o Mart Center e, em suas últimas edições, acontecia no Colégio Marista.
Além da editora organizadora, outras lojas de jogos, filmes e livros participavam. Era possível comprar livros e jogos nacionais e importados e, para muitos, era uma das únicas chances de comprar alguns dos livros. O RPG, especialmente no começo dos anos 90, não era muito difundido e era bem difícil achar algum material fora da cidade de São Paulo.
Era também um espaço para trocas. Sempre havia pessoas vendendo ou comprando livros e jogos usados e os organizadores promoviam inclusive uma espécie de leilão de materiais usados.
Fazer contatos e novos amigos também era uma das atrações do Evento. Ainda sem internet, era complicado encontrar novos jogadores para o seu grupo. Por exemplo, durante muito tempo, o meu grupo acreditava ser o único grupo de RPG na nossa cidade. Acredito que isso acontecia com outros grupos também. No EIRPG era mais fácil fazer contatos, trocar telefones e as vezes descobrir jogadores da sua própria região.
Eu participei de todas as edições do Encontro entre 1995 e 2008 com exceção de 1998 e 2006. Na maior parte deles eu atuei como Mestre e jogador.
Nos anos 90 e começo dos 2000, participar da Convenção era quase um ritual para os meus amigos e eu. Morávamos todos numa cidade do litoral de São Paulo na época e todos os anos nós alugávamos uma van para ir à Convenção. As vezes participávamos durante dois dos três dias do evento. As vezes, apenas um.
Quando a data da Convenção era anunciada, os Mestres do grupo corriam até a banca especializada em RPG da cidade vizinha para pegar os formulários de inscrição (depois de algum tempo passamos a recebê-lo via mala direta) e enviávamos nossa inscrição junto com o resumo de uma aventura para os organizadores.
As semanas seguintes eram de ansiedade e preparação. Ansiedade porque a resposta com a aprovação da aventura demorava. Preparação porque queríamos mestrar aventuras bacanas. Os Mestres inscritos escreviam suas aventuras e faziam playtest com o grupo.
Receber a confirmação da inscrição era fantástico. Além de fazer bem para o ego, os Mestres ganhavam camisetas que eram depois exibidas como troféus, lanches e as vezes algum brinde como um livro ou uma revista.
Um pouco antes de 2004, nosso grupo já estava separado. Alguns tinham obrigações de trabalho, família, outros mudaram de cidade e outros ainda perderam o interesse. O EIRPG ainda servia como ponto de encontro para alguns de nós mais para bater papo e matar saudades do que para jogar.
Não sei dizer a partir de que ano eu comecei a sentir isso mas em algum ponto dos anos 2000 a qualidade do Encontro começou a cair. A organização parecia aceitar qualquer aventura (a descrição de uma das aventuras que vi era “ batatinha quando nasce esparrama pelo chão”), havia poucos sistemas diferentes disponíveis para jogo. A organização começou a cobrar ingressos mas não oferecia muito mais do que quando o evento era de graça.
A partir de 2009 não houve mais EIRPG. Até hoje não vi uma explicação oficial da organização. Já ouvi boatos e também a explicação de alguém que seria funcionário da editora. O que se diz é que ficou economicamente inviável realizar o encontro. Sempre achei essa explicação estranha. Sim, acredito que seja um evento caro de se realizar. E sim, acho que o RPG ficou tão popular aqui no Brasil quanto ele pode ser. E isso não é muito. Mas é fato também que cada vez mais pessoas estão interessadas em outras coisas que o evento oferecia: jogos de estratégia, livros e filmes de fantasia, cultura oriental. Talvez haja outras razões ou simples falta de interesse.
O fato é que, para muitas pessoas e por muitos motivos diferentes, o Encontro International de RPG vai fazer falta.
segunda-feira, 16 de agosto de 2010
Call of Cthulhu: Dark Corners of the Earth
Call of Cthulhu Dark Corners of the Earth é um jogo lançado para PC e XBox original em meados dos anos 2000. O jogo foi desenvolvido pela falecida Headfirst Games e publicado pela Bethesda Softworks. Ele é baseado no Mitos de Cthulhu do escritor de histórias fantásticas e de horror Howard Phillip Lovecraft.
O jogo tem uma história fantástica e faz um ótimo trabalho em capturar o clima das histórias de Lovecraft: uma tensão constante, um horror não explicito e a sensação de impotência diante de poderes muito maiores que a humanidade possui. A imersão é quase total: os cenários são bem construídos, as músicas combinam bem e, grande inovação, apesar de ser um First Person Shooter não há nenhum HUD. Você o mundo sem informações de barra de vida, sem mira, sem informação de munição.
Apesar de todos esses pontos positivos o jogo tem defeitos que em alguns momentos quase arruinam a experiência. Os gráficos não são tão bons e o jogo tem vários bugs que quase impedem seu progresso.
Esse foi um dos únicos projetos da Headfirst, uma divisão de outra companhia criada para fazer jogos do gênero. O longo tempo de desenvolvimento de Dark Corners of the Earth comprometeu a empresa financeiramente e ela faliu logo depois do lançamento do jogo.
Eu gostaria muito de ver um postmortem de Call of Cthulhu Dark Corners of the Earth. Me parece que os gráficos seriam fantásticos se o projeto não tivesse se estendido tanto e o jogo tivesse sido lançado alguns anos antes. Além disso, os problemas técnicos como bugs, saves corrompidos e outros parecem ter chegado na versão final por falta de testes. Eu gostaria muito de saber se o projeto se estendeu por falta de dinheiro ou se faltou dinheiro porque o projeto durou demais e o que os desenvolvedores aprenderam no processo.
De qualquer forma, é um grande jogo e uma experiência única. Se você é fã desse genêro de games ou de H. P. Lovecraft esse é um jogo imperdivel. Existe um patch não oficial disponível na internet que conserta boa parte dos piores problemas. Procure por ele e divirta-se.
Ph'nglui mglw'nafh Cthulhu R'lyeh wgah'nagl fhtagn!
O jogo tem uma história fantástica e faz um ótimo trabalho em capturar o clima das histórias de Lovecraft: uma tensão constante, um horror não explicito e a sensação de impotência diante de poderes muito maiores que a humanidade possui. A imersão é quase total: os cenários são bem construídos, as músicas combinam bem e, grande inovação, apesar de ser um First Person Shooter não há nenhum HUD. Você o mundo sem informações de barra de vida, sem mira, sem informação de munição.
Apesar de todos esses pontos positivos o jogo tem defeitos que em alguns momentos quase arruinam a experiência. Os gráficos não são tão bons e o jogo tem vários bugs que quase impedem seu progresso.
Esse foi um dos únicos projetos da Headfirst, uma divisão de outra companhia criada para fazer jogos do gênero. O longo tempo de desenvolvimento de Dark Corners of the Earth comprometeu a empresa financeiramente e ela faliu logo depois do lançamento do jogo.
Eu gostaria muito de ver um postmortem de Call of Cthulhu Dark Corners of the Earth. Me parece que os gráficos seriam fantásticos se o projeto não tivesse se estendido tanto e o jogo tivesse sido lançado alguns anos antes. Além disso, os problemas técnicos como bugs, saves corrompidos e outros parecem ter chegado na versão final por falta de testes. Eu gostaria muito de saber se o projeto se estendeu por falta de dinheiro ou se faltou dinheiro porque o projeto durou demais e o que os desenvolvedores aprenderam no processo.
De qualquer forma, é um grande jogo e uma experiência única. Se você é fã desse genêro de games ou de H. P. Lovecraft esse é um jogo imperdivel. Existe um patch não oficial disponível na internet que conserta boa parte dos piores problemas. Procure por ele e divirta-se.
Ph'nglui mglw'nafh Cthulhu R'lyeh wgah'nagl fhtagn!
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